domingo, 30 de agosto de 2009

Ao amarrotar uma carta entre os dedos, sinto que está distante o fluir de momentos que foram meus e abandonei para sempre. É então que uma espécie de morte me percorre os sentidos.
O sol aquece, as folhas das árvores brilham. Devíamos estar gratos à vida só pelo facto de existirem árvores. Ao observá-las sinto haver em mim palavras adormecidas que hão-de despertar. Não chegou ainda a serenidade das longas tardes de Verão em que ao olhar o mar ficamos submersos na nossa vida interior.
As experiências penetram em cada um de nós e ficam a pertencer-nos. Mesmo as desagradáveis, aquelas que queremos afastar, permanecem insistentes, solidificam de um modo capaz de surpreender-nos. Quantas vezes uma simples palavra murmurada ganhou extraordinária importância, ou a expressão de um moribundo nos impressionou de tal modo que nunca mais pudemos esquecê-lo.
Escrevo Para Desistir, Editora &etc, Lisboa, 1986
Multidão
Acrílico e colagem s/madeira, 35 x 50cm, 2008

OUTRA COISA - MIGUEL SERRAS PEREIRA

Poesia, psicanálise e política - algumas linhas

Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1983



































































THE LOVE BOX

Exposição -Galeria Solar de St.António, Porto, 2008







domingo, 23 de agosto de 2009

QUADRANT Nº16 - 1999

ISABEL DE SÁ: UMA POÉTICA DA DESORDEM

Maria Graciete Besse












sábado, 22 de agosto de 2009

Natureza Morta
Técnica mista e colagem s/tela, 70x120cm, 2007


O Pássaro oferece a Flor
Técnica mista s/papel, 95x136cm, 1986




Autistas
Técnica mista s/papel, 98x170cm, 1986


LATITUDES - Cahiers Lusophones

Parole et réalité dans la poésie d'Isabel de Sá

Maria Graciete Besse







Lembrar-te, é amar os corpos que partilhamos. O que me atrai em ti pertence à sabedoria do texto, à primeira palavra murmurada. O que me atrai no amor é a indeterminação, o impulso inicial. Os rostos que amei na tua ausência foram tocados por ti através da minha pele. Ninguém pode esclarecer a sua alma à margem deste pacto. O nosso amor desfaz o trio.
É na treva que sou obrigada a reconhecer o que escrevo. Sucumbo a uma grave abstracção de pensamento donde chego a sair tocada pela invocação da palavra.
Escrevo Para Desistir,&etc, Lisboa,1986
Dicionário de Literatura Portuguesa

Organização e Direcção - Álvaro Manuel Machado

pág. 425




SERÁ NO PRÓXIMO SÉCULO?

O nosso amor arrasou cidades. Éramos
muito jovens e pensávamos assim.
O mundo pertencia-nos. Ninguém
percebia mas nós vivíamos contra
tudo - era um acto político.


Assim alguns seres no mundo
construíram vidas, amaram
e sofreram isolados, por vezes
espoliados, queimados na fogueira.


Mas o nosso amor resistirá
às fronteiras, aos muros de fogo
e à injustiça. Gostaríamos de viver
o tempo da verdadeira transformação,
da felicidade universal.


Erosão de Sentimentos, Editorial Caminho, Lisboa, 1997
História da Literatura Portuguesa

As Correntes Contemporâneas

Direcção - Óscar Lopes e

Maria de Fátima Marinho

Volume 7 , Lisboa, Alfa, 2002







Fui à rua buscar a morte que andava desaustinada pelas paredes como cão raivoso. Ofereci-lhe o braço, trouxe-a comigo, fi-la minha amante. Num leito de linho nos deitámos e em segredo me falou dias seguidos sobre a sua infância, a solidão debaixo da terra, o amor pela natureza. Explicou-me como acariciava os bichos comedores de cadáveres e dessa alegria maliciosa.
A morte passou a ter para mim muita importância. Comecei a vesti-la de alvas roupas, a coser-lhe flores ao crânio, amando-lhe a face lívida, iniciando-a numa sensualidade sem fim.
Então, numa manhã a Morte sorriu mostrando nos lábios o seu carácter perfeito, isento de mesquinhez; beijou-me a boca, as pernas, o coração. Perturbou-me.
No meu interior países fervilhavam, milhões de rostos se viraram à luz:
Começara outra vida: dera-se a iluminação.
Esquizo Frenia, & etc, Lisboa, 1979

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Esquizo Frenia, & etc, Lisboa, 1979

Capa e hors-texte de Graça Martins





O Festim das Serpentes Novas, Brasília Editora, Porto, 1982

Capa e ilustrações de Isabel de Sá

Bonecas Trapos Suspensos, Frenesi, Lisboa, 1983

Capa - Paulo da Costa Domingos

Autismo, & etc, Lisboa, 1984

Capa de Isabel de Sá

hors-texte de Graça Martins


Restos de Infantas, Ulmeiro, Lisboa, 1984

Capa e ilustração de Graça Martins

Nervura, Mirto, Porto, 1984

Capa e arranjo gráfico de Graça Martins


Em Nome do Corpo, Edições Rolim, Lisboa, 1986

Capa e ilustrações de Graça Martins


Escrevo para Desistir, & etc, Lisboa, 1988

Capa - Ana Moreira

Ilustração de Isabel de Sá

O Avesso do Rosto, Editorial Caminho, Lisboa, 1991

Capa - secção gráfica da Ed. Caminho, sobre foto de Luís Silva

O Duplo Dividido (seguido de Palavras Amantes e Poetas Suicidas), & etc,Lisboa, 1993

Capa de Isabel de Sá


Erosão de Sentimentos, Editorial Caminho, Lisboa, 1997

Capa -secção gráfica da Ed.Caminho, sobre ilustração de Isabel de Sá

O Brilho da Lama, & etc, Lisboa, 1999

Capa e hors-texte de Isabel de Sá





Repetir o Poema, Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão, 2005

Capa - Fragmento de trabalho plástico de Isabel de Sá


Feira do Livro do Porto - 2008

Luis Adriano Carlos, José Emílio-Nelson, Isabel de Sá e Maria João Reynaud




Porque sem beleza não se aguenta estar vivo